quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada.
Uma vez decorei o poema do Manuel Bandeira. Não recitava para ninguém porque lá, neste lugar paradisíaco, tinha alcalóide à vontade e prostitutas bonitas. Não ficava bem para uma menina repetir esses versos, mesmo tendo sido escritos pelo Bandeira. Mas também tem os versos:
...”E quando estiver cansadoDeito na beira do rioMando chamar a mãe-d'águaPra me contar as históriasQue no tempo de eu meninoRosa vinha me contar”...
Quem me dera hoje, poder ouvir as histórias como criança, deitada na sombra, livre de problemas, preocupações, acreditando só na vida. Do tempo de eu menina. Pasárgada pode ser uma noite bem dormida, dinheiro na conta, saúde para todos – já é demais. Pode ser uma viagem de ônibus de volta para casa, ou o celular que não toca para dar notícias ruins.
Depois de grandes na idade, os lugares imaginários ficam mais distantes e quase inatingíveis, mas a sensação de paz, de calor e fantasia – não esquecemos jamais. Basta ficar assim quietinho, respirar fundo e soltar a imaginação.
...”E quando eu estiver mais tristeMas triste de não ter jeito”...
Vou-me embora pra Pasárgada.

0 comentários: